domingo, 21 de setembro de 2014

Há contra-indicação aos antigripais? É preferível usar o soro fisiológico?

O resfriado é uma inflamação das vias respiratórias altas e pode ser desencadeado por uma série de vírus, dentre os quais destaca-se os rinovírus e os coronavírus. Existem três períodos anuais de maior incidência: início do outono, meados do inverno e primavera. No inverno é mais freqüente o resfriado produzido pelo coronavírus e no outono e primavera pelo rinovírus. Nos meses frios, ao permanecer maior tempo em locais fechados, pouco ventilados e secos, a possibilidade de se sofrer um resfriado aumenta.
Os vírus se transmitem pelo contato com objetos infectados ou através da saliva que lançamos ao falar ou espirrar, o que converte esta patologia em altamente contagiosa. O paciente pode apresentar esses sintomas: congestão nasal, dor de cabeça, febre branda, dor de ouvido, dores musculares e articulares, conjuntivite, dor de garganta, tosse seca de suave a moderada e fadiga.
O que um paciente considera como resfriado pode ocultar outra enfermidade, por exemplo, um resfriado persistente pode ocultar uma alergia, confusão frequente entre aqueles que sofrem de sintomas alérgicos pela primeira vez. O resfriado dura apenas alguns dias, mas a alergia pode durar meses. Portanto, se for seu caso procure orientação médica.
Tanto o resfriado comum como os processos gripais são produzidos por vírus e contra eles não existem fármacos eficazes; por isso os medicamentos atuam apenas em nível sintomático1. Os medicamentos antigripais apresentam muitas associações, SILVA & SCHENKEL (1997) afirmaram que a combinação de doses fixas de um antipirético, vitamina C, um descongestionante vasoconstritor, um anti-histamínico e cafeína constitui uma associação típica dos produtos considerados como antigripais, apesar de não haver confirmação científica que justifique a associação de substâncias para o tratamento de cada um dos sintomas do resfriado, já que nem todos os sintomas se manifestam em um único episódio de resfriado e, se forem, não acontecem exatamente no mesmo período de tempo e não tem a mesma evolução2. Além disso, as associações de substâncias podem aumentar a chance de ocorrência de interação medicamentosa.
Ambos, analgésicos e antigripais, causam inúmeras complicações, como úlceras, hemorragias digestivas e problemas no fígado3. Ainda, os últimos podem trazer em sua composição substâncias (vasoconstritoras) que podem alterar a pressão arterial de pacientes hipertensos, como também estar relacionados a acidentes de trabalho de operadores de máquinas que exigem concentração (anti-histamínicos)4.

Referências
1. MARQUES, L. A. M. Atenção farmacêutica em distúrbios menores. São Paulo: Livraria e editora Medfarma, 2005.
2. SILVA, T. & SCHENKEL, E.P. Valor terapêutico dos medicamentos disponíveis no mercado para o tratamento de sintomas do resfriado em crianças. Revista Brasileira de Farmácia, v.78, n.3, p.65-68, 1997.

3. JESUS, P. R. C. O consumo desenfreado de medicamentos no Brasil e a responsabilidade da propaganda. Disponível em:<http://www2.metodista.br/unesco/1_Ecom%202012/GT4/32.O%20consumo%20desenfreado_Paula%20Jesus.pdf> . Acesso em: 11 set. 2014.

4. Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) nos supermercados: acesso ou retrocesso? Disponível em:
< http://www.institutosalus.com/colunistas/dayani-galato/medicamentos-isentos-de-prescricao-mips-nos-supermercados-acesso-ou-retrocesso>. Acesso em: 11 set. 2014.

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